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Pele de tilápia: tratamento já chegou a mais de 300 vítimas de queimaduras no Ceará

Foto: Viktor Braga/UFC

A pele de tilápia já foi usada no tratamento de pelo menos 300 pessoas no Ceará desde o início dos testes em humanos, em 2016. De acordo com a Universidade Federal do Ceará (UFC), não foram registrados pacientes com casos de rejeição ou infecção devido ao tratamento, desenvolvido na instituição, que iniciou os testes com o material em 2015. 

Segundo o médico Edmar Maciel, coordenador-geral da pesquisa e presidente do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), o tratamento com o insumo à base da pele do peixe tem vantagens frente ao usual, feito com pomada antibiótica — este "requer muitos profissionais, pois impõe banhos anestésicos para a dolorosa troca diária de curativos, o que encarece o serviço", explica o especialista.

Além do barateamento do tratamento, a pele de tilápia, em muitas ocasiões, não exige remoção, podendo permanecer nas feridas até que elas cicatrizem completamente. 

O que são queimaduras 
O médico Edmar Maciel explica que as queimaduras são lesões graves, com internação prolongada e difícil tratamento. As feridas têm graves sequelas estéticas, funcionais e psicológicas. No Brasil, a população mais pobre é a que mais sofre com o problema. 

Como funciona o tratamento 
Os testes com o insumo cumpriram 11 etapas — a chamada fase pré-clínica — antes de a pesquisa ser apresentada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Só após aprovação no Comitê de Ética e Pesquisa, a pele começou a ser usada em pacientes no Instituto Doutor José Frota (IJF). 

Depois dos resultados positivos, pessoas e até animais vítimas de queimaduras receberam tratamento à base da pele da tilápia.

Outros tratamentos com a pele 
Após resultados positivos no tratamento de queimaduras, outros grupos de pesquisadores utilizaram o material em outros tratamentos clínicos e cirurgias. Entre eles, houve uma pesquisa na área da ginecologia. A pele chegou a ser utilizada na construção do canal vaginal em mulheres com síndrome de Rokitansky com canal vaginal curto ou até mesmo ausente. O estudo foi conduzido pelos professores Leonardo Bezerra e Zenilda Bruno, da Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (Meac), da UFC. 

Com resultados bem-sucedidos, a pele também foi utilizada em cirurgia de redesignação sexual feita por uma mulher em processo de transição, e em reconstrução vaginal pós-câncer de uma paciente em Campinas (SP). No estado paulista, a Universidade de São Paulo (USP) também realiza pequisas em reconstrução vaginal, as quais são aplicadas a pacientes que não obtiveram sucesso em cirurgias de redesignação sexual com outras técnicas. Nesse caso, a pele da tilápia já foi usada em mais de 50 pacientes.                            (Diário do Nordeste)

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