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Ceará tem piora na qualidade da água de rios e lagoas, aponta SOS Mata Atlântica

A Lagoa da Parangaba teve a classificação alterada de “regular” para “ruim". FOTO: Camila Lima

O Ceará é um dos cinco estados brasileiros que apresentaram piora na condição da água dos rios e lagoas monitorados durante o ciclo hidrológico, de março de 2020 a fevereiro de 2021, segundo relatório apresentado nesta segunda-feira (22), Dia Mundial da Água.

Os dois locais observados em solo cearense estão em Fortaleza: o Riacho Maceió, que se manteve “regular”, e a Lagoa da Parangaba, que saiu de “regular” para “ruim”.

Os dados do “Retrato da Qualidade da Água nas Bacias Hidrográficas da Mata Atlântica”, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica apresentam o estudo relativo a 130 pontos de monitoramento no País, distribuídos em 77 trechos de rios e corpos d’água brasileiros, em 64 municípios de 17 estados onde o bioma Mata Atlântica está presente.

Pandemia limitou coleta de dados

De acordo com o educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, César Pegoraro, o Ceará passou a fazer parte do projeto de monitoramento desde 2016. No Estado, são originalmente 10 pontos de análise, que incluem também outros cursos d’água, como o Rio Ceará, Rio Maranguapinho, Riacho Parreão e Rio Cocó, por exemplo. No entanto, a pandemia obrigou a diminuição de circulação dos grupos voluntários, deixando estes outros de fora da análise atual.

No caso da Lagoa da Parangaba, que apresentou decréscimo no IQA, César explica que houve um aumento expressivo na quantidade de lixo. “Também fazia tempo que não chovia. Se tornam dois fatores determinantes. Muitos resíduos foram carreados e, pelo fato de haver menos chuvas na época de coletas, havia menos diluição. Com menos água, os poluentes ficam mais concentrados”, detalha o educador ambiental.

Interior sem análises

Como o projeto depende de patrocínio e trabalha em regiões com fragmento do bioma Mata Atlântica, ainda não há pontos de monitoramento no interior do Estado.

“O material que se usa é bastante caro e não conseguimos ter uma grande quantidade de grupos no Estado. Por isso, nossa estratégia é concentrar [a análise] próximo das capitais, primeiro pelo deslocamento e envio de material, segundo para as organizações se ajudarem, trabalhando em conjunto”, detalha César Pegoraro.

No entanto, o Rio Poti, que nasce no Ceará, é monitorado pela fundação já no território do Piauí, em três pontos observados na capital Teresina, apresentando um IQA “regular”. O curso d’água nasce na Serra dos Cariris Novos, município de Quiterianópolis, e segue no sentido sul–norte passando por Novo Oriente até a cidade de Crateús, onde flui para o estado vizinho.

“A gente até foi estudar o curso do Poti e não tem um índice de ocupação grande às suas margens. Por isso, consegue dar conta da poluição em parte que vai sendo lançado”, observa o engenheiro ambiental.

Tendência geral é de melhoria das condições

Considerando o quadro geral dos 17 estados onde há avaliações, os especialistas da fundação destacam a tendência de melhoria na qualidade ambiental de rios e córregos urbanos ao longo de 2020, por conta de avanços nos índices de coleta e tratamento de esgoto e do isolamento social que resultou na redução de fontes difusas de poluição, como lixo e material particulado proveniente da fuligem de veículos automotivos.

“Houve uma pequena tendência de melhora e atribuímos justamente às questões de menor circulação de pessoas, ao mesmo tempo que um aumento de investimento no saneamento básico. Menos pessoas nas ruas e indústrias fechadas geram uma menor poluição difusa”, ressalta o educador ambiental.

No total dos 130 pontos monitorados neste ciclo de 2020 a 2021, 95 deles (73,1%) apresentaram qualidade da água regular, 22 (16,9%) ruim e 13 (10%) estão em boa condição. O levantamento não identificou corpos d’água com qualidade de água ótima ou péssima. No comparativo entre os dois anos, a condição da qualidade da água melhorou em 10 pontos e manteve estabilidade nos indicadores, mesmo com variações climáticas intensas nos períodos de seca e chuva, em 75 pontos. Do outro lado da balança, passaram da condição de “regular” para “ruim”, além do Ceará, pontos na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Porém, o educador ambiental alerta que a melhoria aferida durante a pandemia, de forma pontual, só se tornará perene se for acompanhada de investimentos contínuos em saneamento ambiental e proteção de matas nativas e áreas verdes.

Ainda é pouco dentro da situação que a gente tem nos nossos rios. Temos que investir pesadamente em saneamento básico, educação e monitoramento dos rios”, reforça.

Classificações do Índice de Qualidade da Água

As classificações que formam o Índice de Qualidade da Água (IQA), reunidos no relatório, foram elaborados com base na legislação vigente, utilizando 16 parâmetros físicos, químicos, biológicos e de percepção.

Os parâmetros do IQA foram escolhidos por especialistas e técnicos como os mais relevantes para avaliação das águas doces brutas destinadas ao abastecimento público e aos usos múltiplos. A totalização dos indicadores medidos resulta na classificação da qualidade da água, em uma escala que varia entre ótima, boa, regular, ruim e péssima.

Os parâmetros analisados são: temperatura da água, temperatura do ambiente, turbidez, espumas, lixo flutuante, odor, material sedimentável, peixes, larvas e vermes vermelhos, larvas e vermes brancos, coliformes totais, oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), potencial hidrogeniônico (pH), fosfato (PO4) e nitrato (NO3).

Fonte: Diário do Nordeste

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