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Janeiro de 2021 foi o segundo mês com mais mortes de crianças com Covid-19 no Ceará

Casos confirmados da doença seguem tendência crescente também entre crianças e jovens. Foto: Natinho Rodrigues

Elas estavam apenas no início da vida, mas 12 crianças de zero a 14 anos faleceram por conta da Covid-19 no Ceará, apenas em janeiro de 2021. Esse foi o segundo maior registro de óbitos na faixa etária desde o início da pandemia, atrás apenas de maio de 2020, mês do pico da primeira onda de transmissão, que teve 18 mortes.

Os dados são da plataforma IntegraSUS, alimentada pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), e foram colhidos na manhã desta quarta-feira (3).

Dos 12 óbitos de janeiro, nove atingiram o grupo mais jovem: meninos e meninas que tinham até quatro anos de idade. Outras duas vítimas tinham entre cinco e nove anos e, mais uma, entre 10 e 14.

Em maio de 2020, dos 18 mortos, 12 tinham até quatro anos, três entre 5 e 9 anos e, mais três, entre 10 e 14. Entre março do ano passado e fevereiro deste, 53 crianças perderam a vida pela doença pandêmica em todo o Estado.

Internações de crianças crescem
Em Fortaleza, os dois principais hospitais com leitos infantis exclusivos para atendimento da Covid-19 estão com a capacidade no limite.

No Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), da rede estadual, a ocupação das 21 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) chegou a 100% ontem. As enfermarias também estão com 58 das 67 unidades disponíveis ocupadas, totalizando ocupação de 86,5%.

Na unidade de saúde, seguindo tendência geral da pandemia no Ceará, as internações voltaram a crescer entre janeiro e fevereiro deste ano. No dia 2 de janeiro, por exemplo, só havia oito UTIs e 24 enfermarias ativas, com 87% e 33% de ocupação, respectivamente.

Já no Hospital Infantil Sopai, 98 dos 100 leitos de enfermaria que ele dispõe estão com pacientes pediátricos. No dia 10 de janeiro, eram 50 internados. Em 2020, o máximo que a unidade atingiu foram 63 acolhimentos, em 30 de outubro. Em maio, na primeira onda, o máximo foi de 45.

Embora ainda não constem no IntegraSUS, dez novos leitos de UTI pediátrica foram entregues no Sopai, na última segunda-feira (1º), pelo Governo do Estado. Com isso, a rede estadual atingiu 48 leitos pediátricos desse tipo, segundo a gestão.

Crianças também suscetíveis
O infectologista pediátrico Robério Leite, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), ainda não atribui relação entre as novas variantes do coronavírus e a maior gravidade dos casos, mas alega que o aumento das internações em todas as faixas etárias é consequência do aumento da transmissão do vírus.

“No cenário atual de aumento exponencial da transmissão, as pessoas relaxando os cuidados e as crianças sendo mais expostas, mesmo que o risco percentual de casos graves em crianças seja maior, o número absoluto aumenta, pois um número muito maior de crianças está sendo infectado. Na grande maioria das vezes, por um adulto que vive com ela”, analisa o médico.

Novos casos em alta
Desde o início da pandemia, 26.649 casos da Covid-19 foram confirmados em crianças de zero a 14 anos no Ceará, de acordo com o IntegraSUS. Após sucessivos decréscimos entre julho e outubro, as confirmações voltaram a aumentar em novembro do ano passado.

O maior incremento ocorreu entre dezembro e janeiro. No primeiro, foram 1.822 diagnósticos positivos. No segundo, 2.476, um aumento expressivo de 35,9%. 

Até o momento, fevereiro segue uma tendência de alta. Conforme os dados disponibilizados até esta quinta-feira (4), foram 2.507 positivações. O número pode ser atualizado com a liberação de mais exames nos próximos dias.

Segundo o último boletim epidemiológico da Sesa, entre os dias 1º e 20 do mês passado, 439 bebês com menos de um ano de vida foram confirmados com a doença no Estado.

Vacina para crianças
Embora a campanha de vacinação contra a Covid-19 no Brasil já tenha sido iniciada, o imunizante ainda não está disponível para toda a população - incluindo crianças, adolescentes e gestantes. 

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), os testes das vacinas já liberadas no Brasil foram feitos apenas em indivíduos a partir de 18 anos. Os demais grupos precisam esperar até que haja estudos específicos, necessários para definir a dosagem correta, a segurança e a eficácia.

(Fonte: Diário do Nordeste)

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