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Mulheres trabalhadoras do Horto refletem sobre a ausência de romeiros e o impacto em suas respectivas rendas

Foto: Guto Vital

Hoje (28), Domingo de Ramos e primeiro dia da Semana Santa, o Horto do Padre Cícero está fechado pelo segundo ano consecutivo. Com a vertiginosa queda no número de visitantes, as trabalhadoras do entorno do cartão-postal sofrem consequências. Diante do bloqueio, a adaptação à nova realidade é praticamente obrigatória.

De acordo com pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), até 2018, o percentual de domicílios brasileiros comandados por mulheres era de 45%, saltando 20% em comparação aos 25% de 1995. 

A não realização de romarias como a de Finados, no último mês de novembro, e a de Candeias, em fevereiro, comprometeu a renda de milhares de trabalhadoras da cidade de Juazeiro do Norte. Nossas personagens são duas dessas profissionais, e relatam as suas experiências.

Foto: Guto Vital

“Todos estão dependendo de mim”

Josefa da Conceição é resistente. Ambulante, todos os dias, entre 9h e 17h, faz turno de trabalho em frente à entrada do Horto. À nossa reportagem, ela relata o quanto a pandemia compromete a renda familiar e afeta uma rede de outras mulheres chefes de família que dependem do turismo religioso em Juazeiro do Norte.  “Quando tem o romeiro é bom né, mas com esse período da pandemia tá difícil […] Minha renda é só aqui dentro ou o Bolsa Família”, diz.

Josefa afirma que a situação para ela era melhor antes do lockdown, mas que a doença é a grande questão. “Eu creio que só vai melhorar quando essa doença acabar, né?! Enquanto não acabar, creio que não vai ficar bom não”.

A ambulante é mãe de quatro filhos e o seu companheiro está atualmente desempregado. “Ele não está trabalhando. Quem corre atrás de alguma coisa sou eu […] Alguma coisinha pelo menos pra comprar a ‘mistura’ […] Tenho quatro filhos. A mais velha de 19, aí tem o outro que tem 16, tem uma que tem 14 e o outro tem 11. Todos estão dependendo de mim”.

“A gente vai ter é de se acostumar, se adaptar e se reinventar. Voltar como era antes, não vai!”

Bem próxima a Dona Josefa, na rua Manoel José da Silva, ainda no bairro do Horto, Cleane da Silva tem um pequeno comércio de venda de alimentos na sala de casa. A decisão de abrir o empreendimento juntamente ao marido veio após ela deixar a vida de ambulante em 2018, sob diagnóstico de fibromialgia.

“Eu vivia de ambulante. Meu problema é fibromialgia e isso me impede de estar andando longas distâncias. Eu não posso ficar andando muito tempo, então a gente colocou um comércio aqui em casa mesmo.”

Assim como Josefa, Cleane sente em seus negócios o baque da ausência das romarias. “Faz muita diferença porque é o que faz girar aqui o nosso comércio. É claro que temos nossos clientes daqui, mas nem se compara quando tem romaria”.

A ausência de um auxílio emergencial é sentida pela comerciante: “com ele era bom… o que entrava a gente comprava de material pra gente vender. Aí quando começou a faltar, de janeiro para cá, ficou bem difícil da gente repor, eu e meu marido. A gente tem filho pequeno”. Indagada sobre como tem feito para manter o sustento da família atualmente, Cleane afirma que “junta tudo no final do mês e vê como dá pra pagar as contas, como todo brasileiro”.

Em palpites sobre o porvir, Cleane desacredita que tudo será como antes e ressalta a importância da resiliência. “Voltar como era antes, não volta mais, porque o prejuízo de um ano e pouco que nós estamos nessa peleja não vai ser recuperado. A gente vai ter é de se acostumar, se adaptar e se reinventar. Voltar como era antes, não vai!”

Fonte: Site Miséria

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