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Campanha de vacinação contra gripe acontecerá junto com a da Covid-19; veja o que muda em 2021

O Ceará vacinou no ano passado 2.311.639 (90,18%) pessoas dos grupos prioritários. Foto: Fabiane de Paula

A campanha de vacinação contra a gripe Influenza, prevista neste ano para começar no próximo dia 12 de abril, terá um elemento extra: o processo de imunização contra a Covid-19 que está em andamento em todo o País.

Com duas importantes vacinas a serem aplicadas em período síncrono, gestores de saúde terão que organizar um esquema específico para atender a alta demanda.

O vice-presidente do Conselho das Secretárias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE), Rilson Andrade, se mostra “preocupado” com a possibilidade – visto que a data ainda não foi ratificada pelo Ministério da Saúde – dessa simultaneidade de campanhas. “Vai ser um volume muito grande de vacinados. Fico bastante preocupado com essa possibilidade. Caso se confirme [a data de início] será um grande desafio a ser superado, avaliou”.

Para ele, a melhor alternativa seria adiar o início da imunização contra a Influenza. “Já nas próximas semanas deveremos iniciar a vacinação nos idosos de 60 anos [contra a Covid], logo esse grupo será superado. Então, se a campanha [contra a gripe] fosse adiada, teríamos esse certo alívio de ser um grupo a menos a ter que receber as duas vacinas no mesmo período”, analisa Rislon, ao lembrar que é preciso tomar duas doses no caso da Covid.

Essa possibilidade de mudança na data, para ele, é palpável e há indícios de que pode acontecer. “O Ministério ainda não enviou as doses ao Estado, na minha avaliação, pode ser um indicativo”, presume.

A Secretaria da Saúde (Sesa) confirmou que as vacinas ainda não chegaram e acrescentou que aguarda o quantitativo para então estimar o número de pessoas que serão imunizadas contra a gripe Influenza no Ceará. No ano passado foram mais de 2,3 milhões de cearenses vacinados.

O Diário do Nordeste tentou contato com o Ministério da Saúde para saber quantas doses seriam destinadas ao Ceará, mas não houve retorno. Contudo, segundo informe divulgado pelo próprio Ministério, a meta, em todo o País, é vacinar pelo menos 90% do público-alvo, que totaliza quase 80 milhões de brasileiros.

Logística

Caso o cronograma seja mantido, o vice-presidente destaca que será preciso uma ampla mobilização. Segundo ele, não será uma tarefa simplória montar esse quebra-cabeça. “A logística é muito, muito difícil. Tem o transporte das doses, os locais de vacinação, profissionais, enfim, unificar as duas campanhas em um só vai ser complicado”, acrescenta Andrade.

A epidemiologista e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Caroline Gurgel, compartilha do mesmo pensamento. Ela concorda que “a maior dificuldade vai ser na logística” e sugere que os locais de vacinação sejam distintos.

“O ideal é um posto de saúde, por exemplo, para vacinar contra a Covid, e outro para imunização contra a Influenza. Isso evitará erros na hora da aplicação”.

Os equívocos a que se refere dizem respeito à duplicação da vacina contra o novo coronavírus em um idoso que já tenha tomado as duas doses. “Nós que trabalhamos com pesquisa sabemos que o erro sempre vai existir. Então o objetivo é reduzir, minimizar esses erros. E uma solução é separando esse público”, acrescenta.

Para que isso aconteça, reconhece a especialista, será preciso um incremento de profissionais assim como de pontos de vacinação, o que se mostra um desafio frente ao momento atual em que já há ampla demanda vigente, por conta da imunização contra o novo coronavírus.

Reforço

Em paralelo à possibilidade de o início ser postergado, Cosems e Secretaria da Saúde do Estado se articulam para viabilizar a aplicação das duas vacinas. A Sesa informou que um plano operacional está sendo definido e que ele deve ficar pronto na próxima semana.

Caso a data seja mantida, a Sesa vai se reunir com os municípios para passar alguns direcionamentos. Embora cada cidade tenha autonomia para definir suas próprias estratégias, quanto mais coeso forem as ações, mais êxito teremos, assim como vem ocorrendo com a vacina contra a Covid-19.

Apesar de externar preocupação e de reconhecer as dificuldades, o vice-presidente avalia, no entanto, que o sistema público de saúde “conseguirá dar uma resposta positiva”. “Os profissionais do SUS mostram, a cada dia, um extremo poder de superação. Embora não seja o ideal, acredito que, caso necessário, conseguiremos imunizar a todos”, conclui.

Recomendações

Além dos desafios de logística, especialistas ressaltam que há recomendações especificas para a campanha contra Influenza deste ano. Uma delas, por exemplo, é priorizar a vacina contra a Covid-19 caso a data de vacinação coincida.

Se isso ocorrer, ou se o paciente já tiver recebido a primeira dose, a orientação é remarcar a imunização contra a Influenza para, pelo menos, duas semanas posteriores ao dia que o paciente recebeu a imunização contra o novo coronavírus.

Essa recomendação, conforme explica Caroline Gurgel, trata-se de uma medida securitária. “A gente não sabe a interação entre a covid e as demais vacinas. Por isso, é recomendado esperar entre duas semanas a 21 dias. É sempre importante ressaltar que o conhecimento que temos em outras vacinas, inexiste no âmbito da vacina contra a Covid, portanto, temos que ter algumas medidas de segurança”, detalha.

O Ministério da Saúde destaca, contudo, que “é improvável que a vacinação de indivíduos infectados (em período de incubação) ou assintomáticos tenha um efeito prejudicial sobre a doença”. Entretanto, devido à ausência de estudos comprobatórios, o MS também recomendou o adiamento da vacinação contra a Influenza nas pessoas com quadro sugestivo de infecção pela Covid-19 .

A recomendação objetiva “evitar confusão com outros diagnósticos diferenciais”. Como a piora clínica pode ocorrer até duas semanas após a infecção, acrescenta o Ministério da Saúde, o ideal “é que a vacinação seja adiada até a recuperação clínica total e pelo menos quatro semanas após o início dos sintomas ou quatro semanas a partir da primeira amostra de PCR positiva em pessoas assintomáticas”.

Importância

A epidemiologista destaca a importância da campanha contra a gripe ao expor que a Influenza é tão potencialmente mortal quanto a Covid-19 em idosos. “Tem o mesmo padrão de mortalidade. O que tem controlado é a vacina. Por isso é imprescindível que ocorra a manutenção dessa imunização”, ilustra.

Outro ponto destacado por Caroline Gurgel é o risco de sobreposição de pandemias. Sem a continuidade de aplicação das vacinas que já existem, explica a especialista, doenças que já estão controladas têm margem para voltarem.

“Lidar com a pandemia da Covid já está sendo muito desafiador. Agora imagine se estivéssemos enfrentando outras doenças em grande volume, seria um caos. Por isso reforço sempre a importância de todas as campanhas”.

Fique por dentro

O Ministério da Saúde divulgou um informe especificando o grupo prioritário, recomendações na vacinação, cuidados a serem adotados, dentre outras questões. Na campanha deste ano, 79.744.470 milhões de pessoas devem ser vacinadas contra a Influenza. Uma mudança importante na campanha deste ano é a exclusão dos adultos de 55 a 59 anos dos grupos prioritários. Em 2020 eles faziam parte.

Confira quem faz parte do público-alvo:

Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5anos, 11 meses e 29 dias);
Gestantes e puérperas;
Povos indígenas;
Trabalhadores da saúde;
Idosos com 60 anos ou mais;
Professores;
Pessoas portadoras de doenças crônicas não transmissíveis;
Pessoas com deficiência permanente;
Forças de segurança, salvamento e funcionários do sistema prisional
Caminhoneiros e trabalhadores de transporte coletivo;
Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas e população privada de liberdade. 
Assim com tem acontecido no processo de imunização contra a Covid-19, a campanha da gripe Influenza contemplará o público-alvo de forma escalonada. A divisão será feita em três etapas, conforme orientação do Ministério da Saúde, mas que municípios e estados têm autonomia para alterações.

A partir do dia 12 de abril: crianças, gestantes, puérperas, povos indígenas e trabalhadores de saúde. No dia 11 de maio começa a imunização nos idosos com 60 anos ou mais e professores e, a partir do dia 9 de junho no restante do grupo. A campanha está prevista para encerrar no dia 9 de julho.

O informe do MS destaca ainda que, se possível, seja disponibilizado sistema de agendamento para evitar aglomeração de pessoas na fila de espera. O Ministério da Saúde reforçou, por fim, que não há evidências, até o momento, “de qualquer preocupação de segurança na vacinação de indivíduos com história anterior de infecção ou com anticorpo detectável pelo SARS-CoV-2”.

Contraindicações:

Crianças menores de 6 meses de idade;
Pessoas com histórico de choque anafilático após doses anteriores.
Todas as outras pessoas estão aptas a tomarem o imunizante conta a Influenza. Aos que estão fora do público-alvo, o imunizante pode ser adquirido na rede privada.

Fonte: Diário do Nordeste

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