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Ceará tem 11 mil casos a menos de Covid em profissionais da saúde entre a primeira e a segunda onda


O Ceará contabiliza 11.466 casos a menos de contaminações pelo novo coronavírus em profissionais da saúde entre a primeira – de março a setembro de 2020 – e a segunda onda da doença, com 16.472 infecções e 5.006 respectivamente, conforme os dados do IntegraSUS, plataforma de dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

A Escola de Saúde Pública do Estado (ESP) estima que uma das causas dessa diminuição é aplicação de vacina neste grupo prioritário desde janeiro de 2021, além da adoção atenta dos protocolos recomendados.

De acordo com o último relatório do Vacinômetro da Sesa, 494.268 doses já foram aplicadas em profissionais de saúde no Ceará. Do total, 237.654 já receberam duas doses da CoronaVac/Sinovac e 260, pelo menos, a primeira dose do imunizante Oxford/AstraZeneca.

A meta de vacinação dessa fase é de 254.231 trabalhadores da saúde. Em todo o território cearense, 1.101.913 doses de vacinas contra a Covid-19 foram aplicadas, segundo atualização mais recente da ferramenta.

Segundo o consultor em infectologia da ESP, Keny Colares, a curva de contágio dos profissionais da saúde acompanhava paralelamente a da população no geral, durante a primeira onda. Já na segunda onda da doença, houve um avanço da curva de contaminações gerais, no entanto os profissionais da saúde conseguiram manter-se com maior estabilidade nesse período.

“Uma das possibilidades [da diminuição de casos] é a questão da vacinação. Seriam os primeiros benefícios em torno disso, já que os profissionais da saúde têm tido um acesso mais rápido ao imunizante, inicialmente por conta do plano de vacinação. Então, é provável que isso explique, em partes, a desconexão entre essas duas curvas na segunda onda”.

Já a presidente do Conselho Regional de Enfermagem (Coren) do Ceará, Ana Paula Brandão, ressalta ainda que atualmente os profissionais de saúde têm um conhecimento maior sobre os protocolos de prevenção recomendados.

“Eles estão tendo um cuidado redobrado nos seus locais de trabalho para que a transmissibilidade não se dê por eles, isto é, que eles não sejam vetores da doença”. De acordo com Ana Paula, durante a primeira onda, as pessoas foram “pegas de surpresa”, e os protocolos foram sendo estabelecidos e atualizados com o decorrer da pandemia.

“Isso ocasionou um número maior de profissionais infectados. Apesar de já estar acompanhando os noticiários internacionais, a gente não achava que isso chegaria aqui ao Brasil tão rápido”.

Vivenciando de perto

A auxiliar de enfermagem Samantha Marques, 45, foi uma das profissionais de saúde que foi infectada pelo Sars-Cov-2 durante a segunda onda. Em novembro de 2020, ela precisou ser internada no Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), local onde atua na linha de frente da doença.

Ela recebeu cuidados dos colegas de trabalho no momento mais difícil da infecção, quando seu pulmão estava com 40% de comprometimento.

“Você não fica só angustiado, você fica desesperado. É uma sensação que ninguém pode falar a não ser a pessoa que teve. É um turbilhão de emoções que passa na cabeça da gente”, detalha a auxiliar de enfermagem.

Samantha, que trabalha com terapia intensiva há 20 anos, relata ainda que a equipe perdeu muitos profissionais por causa da doença ou por afastamento. Após ter passado pela Covid-19 ser vacinada, ela afirma que se sente imunizada, mas as medidas de proteção não foram deixadas de lado.

“Ainda continuo fazendo as medidas de proteção e rezo a Deus, todos os dias, para que o máximo de pessoas possíveis sejam imunizadas contra uma doença dessa que tirou a vida de tanta gente”, deseja.

Prossionais têm medo de transmitir o vírus

Para Mayna Moura, 35, médica ginecologista e obstetra que trabalha na emergência da maternidade do Hospital Geral Dr. César Cals, esse período de pandemia foi enfrentado com muita dificuldade e medo de repassar o vírus aos familiares.

Em março do ano passado, com o aumento do número de casos da doença, Mayna passou 90 dias sem ver o filho Matheus, na época com oito meses de idade, deixando-o sob os cuidados da avó materna. O momento de privação gerou tristeza no coração da mãe, principalmente ao perder os primeiros passos dados pelo pequeno.

“Eu vi o meu filho dar os primeiros passos pelo celular. Foi uma das coisas que mais me doeu. Foi um momento muito difícil, tomar essa decisão foi algo extremamente complicado, mas a gente sabia que era o mais correto a se fazer para tentar não passar o vírus pra ele e pra minha mãe de 68 anos, que é quem nos ajuda”.

Atualmente, a profissional conta que, mesmo estando vacinada com as duas doses, voltou a se isolar devido ao medo em torno da segunda onda de casos. “Agora em 2021, vivendo novamente e com mais intensidade a pandemia, a gente tomou a decisão novamente de se afastar. Foi uma decisão tomada pra resguardar eles dois, o meu filho e a minha mãe”.

Apesar da adversidade de acompanhar o desenvolvimento do filho à distância, por meio de videochamadas, a médica relata que possui “esperanças de que isso acabe logo”.

O impacto da pandemia no setor

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou recentemente, no dia 22 de março de 2021, uma pesquisa nacional sobre as “Condições de Trabalho dos Profissionais de Saúde no Contexto da Covid-19”, que detalha questões em torno do esgotamento físico e mental enfrentado por esse grupo.

Os dados revelam alterações significativas na vida de 95% dos entrevistados. Quase 50% deles admitiram excesso de trabalho na pandemia, com jornadas que, muitas vezes, ultrapassam 40 horas semanais. Além disso, 45% desses profissionais admitem que necessitam de mais de um emprego para sobreviver.

Segundo o levantamento, 43,2% dos profissionais de saúde não se sentem protegidos no exercício de suas funções. O motivo principal para 23% deles é a ausência ou a inadequação do uso de equipamentos de proteção individual (EPI). Para 64%, há a necessidade de improvisação desses materiais.

O medo generalizado de contaminação no ambiente de trabalho é de 18%. A falta de estrutura adequada para realização das atividades é sentida por 15% dos participantes. Além disso, 10,4% relataram insensibilidade dos gestores para as necessidades profissionais, com um fluxo de internações considerado ineficiente para 12,3% dos entrevistados.

Conforme detalha ainda a pesquisa, a saúde mental também foi bastante afetada entre esses profissionais. O estudo revela que 15,8% enfrentaram perturbações no sono; 13,6% irritabilidade, choro frequente ou distúrbios em geral; 11,7% incapacidade de relaxar; 9,2% dificuldade de concentração ou pensamento lento; 9,1% perda de satisfação na carreira/na vida ou o sentimento de tristeza/apatia; e 8,3% sensação negativa sobre o futuro ou pensamentos suicidas.

Fonte: Diário do Nordeste

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