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Atraso de obras hídricas do Dnocs no Ceará gera apreensão

 A adutora de 18Km da Vila Mineiro fará captação de
água no Rio Jaguaribe. FOTO: Honório Barbosa
Iguatu. As obras hídricas para atender demanda de água de milhares de moradores no Interior do Ceará sob a responsabilidade do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs) estão atrasadas. Outras ainda não saíram do papel e muitas delas estão sem previsão para término. Nenhuma das oito Adutoras de Montagem Rápida (AMR), iniciadas em novembro passado, está em funcionando. Corre-se o risco de a fonte de água secar e essas obras emergenciais ficarem subutilizadas.
A atual quadra chuvosa está chegando ao fim e as reservas hídricas estão escassas no Interior do Ceará. As famílias enfrentam dificuldades de abastecimento, recebem o recurso hídrico de carros-pipa sem qualidade e são obrigadas a comprar água de beber. Os moradores vivem a expectativa de instalação das oito AMR, iniciadas em novembro de 2016. Outras comunidades esperam por perfuração de poços profundos.
Transferência
No ano passado, o governo federal decidiu retirar do governo do Estado, via Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), as verbas de obras emergenciais de combate aos efeitos da seca, transferindo os recursos para o Dnocs. O órgão fez a licitação para a construção de oito adutoras: São Luís do Curu; Apuiarés; Tamboril; Chorozinho/Triângulo; São João do Aruaru; Iracema; Pereiro e Vila Mineiro (Jaguaribara).
As obras tinham prazo variável de conclusão em 60, 90 e 180 dias. Estão todos extrapolados. O Diário do Nordeste visitou quatro das oito adutoras que estão em andamento. Em todas as localidades, o sentimento é de expectativa para o funcionamento da transferência de água e de queixa, mediante a incapacidade do Dnocs em concluir as obras.
Dependência
A adutora de 18Km da Vila Mineiro fará captação de água no Rio Jaguaribe, na bacia do Açude Castanhão, em Jaguaribara, na localidade de Curupati Irrigação. A fonte depende da transferência de água do Açude Orós, que está apenas com 12% de sua capacidade. A obra começou em 14 de novembro de 2016 e deveria ser concluída em 13 de abril passado. Ainda faltam serviços de interligação da rede, de mangueiras, conclusão da casa de força, do flutuante, solda em tubos e fixação de alguns suportes dos dutos.
"Isso é um absurdo, houve paralisações, um atraso injustificável e o serviço não é bem feito", queixou-se o presidente da Associação dos Produtores Rurais de Mineiro, João Paulo Freire. "Tivemos que apreender o carro da empresa para assegurar pagamento de mão de obra e de outros débitos", completou.
A obra vai atender 350 famílias de pelo menos dez localidades rurais. A Estação de Tratamento de Água (ETA) está pronta desde fevereiro passado, aguardando a água da adutora que teima em não chegar, nas margens da BR-116, na localidade de Sabiá. O encarregado da obra, Fabiano Rodrigues, da construtora DG Log, silenciou quando indagado sobre o porquê de tanto atraso.
Desafio
A mais extensa das oito AMRs é a de Pereiro, que tem de 38Km e apresenta o desafio de captar água no Rio Jaguaribe, na localidade de Mapuá, que também depende de liberação de água do Orós, e transferir para a cidade, no alto da serra. O encarregado da obra, sob a responsabilidade da empresa DG Log, Edvaldo Pereira, disse que o esforço é para concluir a obra até o fim deste mês ou início de junho. "Estamos com duas frentes de trabalho e só vamos depender do local e da base de ligação do sistema de bombeamento, que foi modificado", frisou.
Na cidade de Pereiro, o Açude Adauto Bezerra está seco há mais de dois anos e o abastecimento dos moradores é feito por carros-pipa. A população queixa-se da qualidade da água. Para beber, o jeito é comprar de veículos particulares. "Esse nosso sofrimento já perdura desde 2015", disse o agricultor José Nogueira.
Expectativa
Os moradores de São João do Aruaru, uma comunidade rural de Morada Nova, no Vale do Jaguaribe, e a equipe do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) aguardam com expectativa a entrega da adutora de apenas 4Km ligando o Canal da Integração àquela vila, com mais de 7 mil habitantes.
Conforme o assessor da diretoria do SAAE de Morada Nova, Sérgio Girão, a adutora foi testada recentemente pelo Dnocs, órgão responsável pela obra, mas ainda não está em operação. Quando estiver abastecendo a ETA da localidade evitará o desperdício de aproximadamente 70% de água. "Atualmente captamos a água do Canal da Integração por meio do leito do Rio Piranji, que propicia uma perda substancial", explicou.
Amaral pretende retornar ao Dnocs para solicitar celeridade no funcionamento da adutora. "A maior demora ocorreu por entraves provocados pela Coelce", frisou. Há rodízio na distribuição de água para a comunidade. "Com a adutora funcionando, com certeza o racionamento acabará e a qualidade da água vai melhorar", disse Valdenilson de Oliveira, membro da Associação de Emancipação do Aruaru.
Sem funcionar
O município de Tamboril, na Zona Norte do Estado, sofre os efeitos das sucessivas estiagens que, ano após ano, mudaram por completo a imagem do Açude Carão, que antes abastecia a cidade, mas está seco. Cerca de 30 mil famílias agora dependem da adutora que o Dnocs está implantando. Foi concluída a rede de canos, mas ainda não funciona.
O projeto foi concebido para atender a população com até 76m³/h. Tem 31Km de extensão. A água será bombeada a partir de um reservatório localizado em Nova Russas, de onde segue até a ETA de Tamboril, situada na localidade Carão. Vai captar água da adutora do Açude Araras, que já atende a Crateús e outras cidades. "Ainda não sabemos quando vai funcionar, mas a expectativa é grande", disse o presidente do Sindicato da Agricultura Familiar de Tamboril e representante do Comitê de Bacias do Curu, José Oliveira Ribeiro.
Esclarecimentos
Por meio de nota, o Dnocs informou que as adutoras de Tamboril, Chorozinho e São João do Aruraru estariam concluídas, mas não especificou o porquê do atraso das obras e nem mesmo o que falta para entrar em operação. Já as adutoras de São Luís do Curu, Apuiarés, Iracema e Mineiro estariam com mais de 90% dos serviços executados.
O Dnocs informou, ainda, que tem projeto para construção da Barragem Fronteira, em Crateús, que em breve deverá ser licitada, e mais quatro obras de açudes que ainda dependem de recursos orçamentários. O órgão não esclareceu acerca da quantidade de poços perfurados e a meta de instalação para este ano. O Diário do Nordeste tentou, por diversas vezes, falar com o diretor geral do Dnocs, Ângelo Guerra, desde a semana passada, sempre estava em reunião ou viajando; deixou contatos com as secretárias do Gabinete, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.                  (Diário do Nordeste)

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