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Região do Cariri: Secretarias propõem ações para reduzir óbitos no SUS

De acordo com a pesquisa da PhD em Enfermagem, Dayanne Rakelly de Oliveira, que também é professora da Universidade Regional do Cariri (Urca), o câncer uterino é a terceira causa de morte entre as mulheres no país. Em segundo lugar está a neoplasia da mama. Em primeiro lugar estão os acidentes vasculares cerebrais. O quadro preocupa as secretarias municipais de Saúde, principalmente em relação às falhas do sistema, como por exemplo, em Juazeiro, que mesmo afirmando atender 30 pacientes por dia em cada posto de saúde, mulheres denunciam a falta de exames preventivos há oito meses. 

Para tentar solucionar as falhas, recentemente, sete municípios realizaram, conjuntamente, a 1º Conferência Municipal de Saúde da Mulher, com o tema “Saúde das Mulheres - Desafios para a integralidade com equidade”. Secretárias e profissionais da área de Juazeiro do Norte, Barbalha, Caririaçu, Granjeiro, Missão Velha e Jardim apresentaram quatro propostas que serão levadas à conferência estadual e, provavelmente, à edição do evento nacional. As reuniões ocorrem por imposição do Ministério da Saúde em todo o país. 

De acordo com secretária de Saúde de Juazeiro, Nizete Tavares, dentre as propostas da conferência temática, a prevenção do colo de útero e de mama; a garantia da isonomia dos diversos grupos femininos; a questão da inclusão das mulheres negras e as mulheres em situação de rua. “Os eixos precisam ser alinhados dentro da saúde pública para que as mulheres sejam atendidas com equidade, ou seja, sem distinção alguma, e com integralidade, sendo acompanhadas desde a atenção primária até a terciária, se for o caso”, destaca. 

Segundo Dayanne Rakelly de Oliveira, que também foi palestrante no evento, só com o fortalecimento da rede é que haverá a redução do número de óbitos pelos principais tipos de câncer entre as mulheres. A professora menciona que vários fatores resultam na falta da inserção de uma rede de proteção completa nos municípios, que são de ordem econômica, cultural e até ausência de vontade política. No entanto, cabe aos profissionais de saúde e à população cobrar melhorias dos gestores. 

“Precisamos debater os investimentos do estado na disponibilização de uma rede de saúde à mulher. Hoje, nós precisamos de mais atenção e isso é uma das diversas implicações de nossa participação no mercado de trabalho. Nosso nível de esforço físico e emocional é maior. Adoecemos mais. Mas o que prejudica nossa recuperação é o diagnóstico tardio. O câncer de útero, por exemplo, é o mais fácil de detecção. Ele é causado pelo papiloma vírus (HPV), que pode ser diagnosticado no exame Papanicolau ou laboratorial. À medida que se demora pra receber o resultado desse exame, isso prejudica a mulher. São demoras na marcação de consulta, na realização dos exames, os medicamentos jamais podem faltar e o tratamento deve ser contínuo”, enfatiza a PhD. 

A enfermeira acrescenta que pesquisas sinalizam outra causa de morte que será mais frequente entre as mulheres nos próximos anos: as doenças cardiovasculares. Diante disso, ela adverte que já se deve pensar em ações que intensifique a promoção, prevenção e recuperação da mulher. 

Conforme Débora Mendes, coordenadora da Regional da Saúde, que engloba os sete municípios, a conferência temática é um momento importante de debate entre as autoridades políticas, profissionais da saúde e população. “As pessoas têm em mente que saúde da mulher se resume à prevenção, parto, mamografia e ultrassonografia. Existe um leque de serviços que também devem ser ofertados de forma contínua, para que haja melhor resolutividade. Não pode ser um tratamento descontinuado ou as mulheres continuarão morrendo com câncer que poderia ser tratado, se diagnosticado logo”, completa. 

Em Juazeiro, o vereador Glêdson Bezerra se mostrou preocupado com a saúde pública da mulher. Ele informou que as usuárias do SUS local estão, há oito meses, sem conseguir realizar exame de prevenção de colo do útero, ultrassonografia ou exames. Em resposta ao ofício enviado por ele à Secretaria de Saúde e ao Executivo, os gestores dizem que o problema será solucionado nos próximos dias, com a licitação para compra de material.                        (Jornal do Cariri)

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