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| Equipamentos recebem moradores de rua para que tomem banho e se alimentem. FOTO: Jornal do Cariri |
Depois
de viver 18 de seus 32 anos em abrigos para menores em Tatuí (SP), José (nome
fictício) conta até os segundos do tempo em que dorme na Rodoviária de
Juazeiro. “São dois meses e 26 dias”, relata. Ele desembarcou no Cariri em
busca de familiares, já que não conheceu a mãe, e faz parte de um número
incontável de pessoas em situação de rua.
“Eu
nem ia vir para Juazeiro. Estava em Palmares (PE), onde trabalhei seis anos,
mas quando o dinheiro acabou, peguei uma carona e vim para Juazeiro. Se eu sair
daqui e for para qualquer outro lugar, eu vou ficar na rua do mesmo jeito. Se
eu tivesse família, poderia ter outra esperança. Meu único sonho é um emprego”,
diz.
Como
José, outras tantas pessoas estão em circunstâncias semelhantes, vivendo em
ruas, praças e espaços degradados, como obras e imóveis abandonados, em Crato,
Juazeiro e Barbalha. Elas são atendidas por uma série de ações desenvolvidas
pelo setor de Proteção Social.
Uma
rede de profissionais, geralmente psicólogos, assistentes sociais e advogados,
além de equipamentos e serviços, como o Centro de Referência Especializado em
Assistência Social (Creas) e o Centro Pop, estão disponíveis para acolher os
desabrigados.
Uma
média de 50 pessoas passa diariamente nas unidades do Centro Pop. Em Crato, o
equipamento funciona à Rua Coronel Secundo e, em Juazeiro, à Rua Dr. Floro
Bartolomeu. De acordo com a coordenadora da Proteção Social em Juazeiro, Raquel
Oliveira, as pessoas em situação de rua podem tomar banho, alimentar-se e
participar de atividades terapêuticas.
Além
disso, os profissionais colaboram para que elas retirem novos documentos de
identificação. “Muitos deles chegam sem documentos porque, em situação de rua,
muitos perdem, são extraviados ou danificados. Um dos trabalhos junto aos
usuários é a retirada de documentos. Diariamente estamos em cartórios dando
entrada em RG, CPF e até de certidão de nascimento”, detalha o coordenador do
Centro Pop de Juazeiro, Thiago Cavalcante.
A
reinserção das pessoas na sociedade ou o retorno à família de origem são os principais
objetivos das ações realizadas pelos municípios. Em 2017, cerca de 40 pessoas
desabrigadas em Juazeiro e Crato conseguiram retornar às suas casas.
“Temos
pessoas que migram de outros estados para o nosso Município. A nossa
preocupação básica é justamente restabelecer esses vínculos. Sabemos que têm
pessoas dependentes químicos, pacientes com problemas de saúde, como câncer,
aos quais oferecemos tratamento para resgatar a dignidade da pessoa humana”,
afirma o advogado Ricardo Aguiar, coordenador da Proteção Especial em
Crato. (Jornal do Cariri)


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