FOTO: João Jesus/Fotos Públicas

17/12/2023

Em estudo recente publicado no periódico científico Nutrients Journal, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com o apoio da Quaker Oats Company, exploraram como comer aveia pode beneficiar o organismo. Para isso, revisaram 16 experimentos, feitos em diversos países, que examinam o impacto do consumo regular na microbiota e no intestino.

Os resultados foram claros: a aveia é excelente para a saúde intestinal. Ela inclusive é frequentemente classificada como um superalimento devido à sua composição única. Reúne fibras solúveis e insolúveis, compostos protetores para os sistemas digestivo e cardiovascular, além de vitaminas e minerais importantes.

Segundo a revisão, o ingrediente melhora o perfil das bactérias que vivem no intestino e colabora para a prevenção de câncer colorretal.

“Já é de conhecimento que a aveia é um cereal que contribui para a saúde humana, atuando, por exemplo, na redução dos níveis de colesterol. É importante que as pessoas saibam dessas descobertas da ciência e possam integrar mais o alimento a suas rotinas”, diz Giovanna Alexandre Fabiano, doutoranda em Ciências da Nutrição, Esporte e Metabolismo da Unicamp e coautora do trabalho.

A aveia reúne substâncias especiais como as avenantramidas, que são conhecidas por suas propriedades anti-inflamatórias e pela capacidade de proteger as células contra danos do envelhecimento, caso de mutações que predispõem ao câncer.

Outro elemento de destaque do cereal é a betaglucana, um tipo de fibra solúvel que tem sido amplamente pesquisada. Quando fermentada, impacta a composição da microbiota, estimulando bactérias a produzir ácidos graxos de cadeia curta, bem-vindos a diversos processos que acontecem no corpo humano, como a imunidade e o controle do colesterol.

O butirato, por exemplo, além de ser uma das principais fontes de energia para as células do intestino, também pode ajudar a suprimir a expansão de células tumorais.

Em estudo analisado nesta revisão, entre animais alimentados com uma dieta rica em gorduras, a suplementação de aveia aumentou as concentrações de butirato no intestino, o que foi associado à melhora do metabolismo lipídico, redução do estresse oxidativo e atenuação de inflamações.

Já em outra pesquisa, feita na China com 210 pessoas, o consumo ajudou a reduzir os níveis de colesterol total e ruim após ingestão de 80 gramas diárias durante um mês e meio.

“Sabendo que a aveia é um produto que proporciona benefícios nutricionais aos consumidores, consideramos prioritário apoiar pesquisas como esta. Afinal, por meio da ciência e da disseminação do conhecimento, as pessoas poderão entender melhor quais produtos podem ter potencial para impactar positivamente o seu bem-estar”, afirma Leila Marie Shinn, especialista em microbiota intestinal do time de Life Sciences da PepsiCo, que também participou da revisão.

A microbiota intestinal é o conjunto de microrganismos, incluindo bactérias, fungos e vírus, que habita nosso sistema digestivo. São trilhões de criaturas, cujos perfis e espécies diferem imensamente de pessoa para pessoa e são influenciados por dieta, estilo de vida, uso de antibióticos, entre outros fatores. A microbiota influencia o apetite, o humor e o estado de saúde.

Numa revisão recente de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada em agosto na revista Arquivos de NeuroPsiquiatria, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), foi constatado que o perfil de bactérias e afins no intestino pode interferir na prevenção e no tratamento de distúrbios neurológicos e psiquiátricos.

Outro trabalho, feito na Inglaterra, comprovou uma potencial influência da microbiota no desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Fonte: Revista Veja

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