Crato. O primeiro assentamento de reforma agrária do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) criado no Cariri celebra neste domingo,10, vinte e cinco anos. O Assentamento 10 de Abril, à 25 km de Crato, surgiu através da luta de trabalhadores rurais de seis municípios da região pelo acesso a terra . A ocupação das terras do caldeirão se deu em 1991, de onde foram transferidos, após intensas pelejas para a fazenda Gerais, hoje Dez de Abril.
A trabalhadora rural, Maria Ana da Silva, de 62 anos, relembra as batalhas travadas contra proprietários de terras e governos na época, afirmando que para obter êxito, foi necessário muito sofrimento, “ A luta era tão grande que nós fomos até Madalena de caminhão, e de lá fomos de pé pra Fortaleza, levamos de oito a dez dias. Sofri muito, mais valeu a pena, valeu porque se eu não tivesse sofrido eu não dava valor a tudo que eu adquiri nesses vinte e cinco anos aqui, tudo eu dou valor, porque eu sofri pra adquirir”. Conta
Na comunidade residem quarenta e oito famílias, cerca de 170 habitantes; apesar de conquistas como o acesso à terra, moradia e iluminação, os moradores reivindicam água encanada em suas residências, fato não concretizado até o momento.
A programação de aniversário contou com debates, performances, campeonato de futebol e a participação de membros da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), Segundo o representante do MST no Cariri, Adailton Silva, são vinte e cinco anos de luta, que serve de exemplo para o Cariri. “O dez de abril é uma das principais referências de uma experiência de MST que deu certo, então a gente consegue justificar que é necessário fazer a luta pela terra, é referência também a nível de estado. Ele e o vinte e cinco de maio (Madalena- Ce) são os mais velhos assentamentos no Ceará. O dez de Abril é fruto daquilo que o Caldeirão criou, hoje as famílias têm teto e tem onde produzir. ” Explicou.
Integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica, Padre Vileci Vidal, relaciona a experiência do Caldeirão do beato José Lourenço com a o Dez de Abril; segundo ele, a (CPT) ao discutir com trabalhadores rurais a questão da luta pela terra, há uma reafirmação de reconstrução do campesinato. “Uma clareza existe aqui nessa comunidade, aqui é a continuação do caldeirão, e já se fala a discussão sobre aqueles que são as raízes desse caldeirão, aqueles que ocuparam o caldeirão e aqueles que são os frutos do caldeirão que vem pelo trabalho da juventude de dá continuidade a essa experiência de campesinato”, analisa.
A programação dos vinte e cinco anos de luta do Assentamento Dez de Abril, encerra neste domingo (10), com celebração de missa às 9h, seguido de bolo de aniversário e salva de fogos ao meio dia.          (Página Distrito Notícias-Ronuery Rodrigues)                               Principal

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