Entre os cargos mais comuns oferecidos estão os de assistente de vendas, recepcionista, alimentador de linha de produção, servente de obras e garçom

Apontado por defensores da Reforma Trabalhista como uma oportunidade de reduzir o desemprego no País, o trabalho intermitente começa a mostrar relativo impacto no mercado cearense. De janeiro a junho deste ano, o Estado apresentou um saldo de 498 vagas dessa modalidade, o equivalente a 5,2% do total de empregos com carteira assinada geradas no Ceará durante o primeiro semestre (9.473).

Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A nova modalidade, caracterizada pelo trabalho de alguns dias ou até horas em um mês, com remuneração proporcional, entrou em vigor em novembro do ano passado, juntamente com as demais alterações realizadas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Em comparação a outros estados do Nordeste, o Ceará divide com a Bahia o primeiro lugar em vagas de trabalho intermitente geradas no semestre, ambos com 498 postos de trabalho criados. Em seguida, aparecem o Rio Grande do Norte (334), Pernambuco (277). Piauí (208), Paraíba (186), Maranhão (157), Sergipe (94) e Alagoas (90). Ao todo, o País gerou 392.461 postos de trabalho no período, dos quais 17.260 intermitentes (4,3% do total).

Conforme os dados do Caged, a maior parte dessas vagas foram criadas no País dentro do segmento de serviços, mas também com presença significativa nos setores de comércio, construção civil e indústria da transformação. Entre os cargos mais comuns oferecidos para esta modalidade estão os de assistente de vendas, recepcionista, alimentador de linha de produção, servente de obras e garçom. Na avaliação de Erle Mesquita, coordenador de Estudos e Análises de Mercado do Instituto do Desenvolvimento do Trabalho (IDT), o trabalho intermitente é uma modalidade residual de contratação que vem demonstrando crescimento. "Mas preocupa, além da incerteza da remuneração, o fato de que muitas vezes o trabalhador não consegue atingir o salário mínimo", explica. Ele argumenta que, embora a taxa de desemprego no País tenha caído a 12,4%, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), isso teria se dado pelo menor número de pessoas pressionando o mercado de trabalho. "Há uma queda do trabalho formal e incremento do informal, motivada pelas ocupações menos protegidas". Mesquita ainda pondera que há incertezas quanto à regulamentação dessa modalidade de emprego. "Na minha opinião pessoal, espero que esse tipo de contratação não avance dado ao contexto de precariedade que ela traz. Em outros países que aprovaram esse tipo de modalidade havia regras mais claras, não ficou 'frouxa' como a nossa. Quando a matéria foi sugerida falava-se do caso específico dos buffets, mas ela está em diferentes segmentos". (Diário do Nordeste)

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