Ações voltadas à inclusão de estudantes em escolas e instituições de ensino superior predominam entre os casos de judicialização da educação nas cidades de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha. Os registros mais frequentes são a contratação de professor de Libras, o atendimento especializado a alunos com deficiência auditiva e queixas pela ausência de cuidadores em sala de aula. 

A maior parte das reclamações encaminhadas ao Ministério Público do Ceará (MPCE) é resolvida administrativamente, sem necessidade do ajuizamento de ações. De acordo com o promotor de Justiça Francisco das Chagas, titular da 3ª Promotoria em Barbalha, as denúncias são feitas por dois meios: ou por informações de pessoas, como mães de alunos, ou pela própria iniciativa do Ministério Público. Depois disso é aberto um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades e cobrar ações. 

“Há, também, reclamações específicas em relação a professores, a vagas em escolas que muitas vezes o aluno não encontra próximo à sua escola. Atuamos nesses casos e também de forma coletiva. Ultimamente, eu lembro que tiveram casos de reclamações em relação a professor de Libras e a cuidadores, que em algumas escolas, duas ou três, não tinham”, explica. 

Audiências públicas buscam garantir direitos em escolas. Em março, uma reunião do MPCE com representantes de colégios privados de Juazeiro do Norte firmou acordos para regularizar a situação das instituições junto a conselhos de educação. Em Barbalha, uma reunião do órgão com secretários de Educação e Assistência Social estabeleceu prazo para a resolução de irregularidades relativas à inclusão de estudantes. 

“Algumas escolas foram sanadas e tinham umas que pediram esse prazo. Existe um TAC com o município de Barbalha para a implementação de valores humanos na escola, da creche a crianças com até sete anos de idade”, finaliza o promotor Francisco das Chagas. 

Luta por direitos 
A Associação de Pais, Amigos e Profissionais dos Autistas do Cariri busca garantir direitos como o atendimento individual a estudantes. “Uma das nossas bandeiras é a inclusão escolar, de fato e de direito, com a garantia do material adaptado, mediador escolar capacitado e o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) estruturado em conformidade com a deficiência e necessidade do indivíduo”, conta a presidente da instituição, Ana Moésia. 

Ela enfatiza que as ações que a instituição tentou junto ao MPCE e Defensoria Pública foram solucionadas extrajudicialmente. “A inclusão de fato e direito aproxima os indivíduos da sua cidadania e de seu próximo. É na inclusão que percebemos as diferenças e o porquê de necessariamente sermos seres diferentes”, conclui.  (Jornal do Cariri)

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