A
Comissão Nacional de Combate à Desertificação, que estava com as atividades
paralisadas, sem reuniões, foi reinstalada nesta quinta-feira (20) em Brasília. Na
cerimônia, novos integrantes foram empossados. Segundo o Ministro do Meio
Ambiente, Edson Duarte, uma nova reunião deverá ocorrer em novembro.
Conforme
o ministro, neste fim de governo o objetivo da Comissão será deixar um
planejamento pronto de atividades para a próxima gestão. Duarte destacou o
avanço da desertificação no semiárido e efeitos prejudiciais do fenômeno, como
a migração de pessoas da região para médias e grandes cidades.
“A
frustração da vida no campo faz com que pessoas abandonem suas casas. Isso vem
se acentuando e há indicações de que este processo migratório tende a aumentar,
talvez chegue a 20% dessa população do semiárido nas próximas décadas”, disse.
O
representante da sociedade civil na cerimônia, José Procópio, ressaltou a
importância da retomada da Comissão, criticando o tempo perdido durante seu
período de inatividade. “Estamos há quase 2 anos sem a comissão funcionar. A
retomada tem que ser aplaudida, mas temos que lamentar o seu silêncio. Um
assunto desta magnitude precisa estar na agenda do Brasil”, pontuou.
Exploração
agropecuária
O
secretário-adjunto de meio ambiente do Ceará, Fernando Bezerra, apontou como um
dos problemas principais da desertificação o descaso com as áreas pela
população, o que reforça o processo de desertificação. “Há desinformação de
cidadãos, que procuram desmatar pra fazer agricultura e pecuária. Esse
comportamento poderá ser trabalhado se houver ação de educação para evitá-lo”,
comentou.
Na
avaliação do pesquisador Carlos Nobre,do Centro de Estudos Avançados da
Universidade de São Paulo, um dos desafios que deve estar em debate é a
construção de um modelo agrícola adaptado à caatinga, bioma da região. “O
modelo agrícola não pode representar o de outras regiões mais úmidas e com
menos vulnerabilidade. Temos que desenvolver de maneira original uma
agricultura que possa ser produtiva, economicamente viável, mas que leve em
consideração as especificidades do semi-árido”, defendeu, em conversa com
jornalistas após o evento.
Metas
concretas
A
secretária de extrativismo e desenvolvimento rural sustentável do MMA, Juliana
Ferreira, defendeu que a comissão contribua com sugestões para que o Brasil
possa discutir junto a outros países metas mais concretas relativas à convenção
internacional sobre o tema.
“Quando
falamos da convenção de mudanças climáticas, ela tem metas e compromissos
concretos. Quando falamos da convenção de desertificação, temos conjunto de
intenções mas não temos compromissos concretos dos países. Essa comissão pode
apoiar de trazer alguns compromissos mais concretos pra essa convenção”,
afirmou.
A
Comissão, que tem a finalidade de debater políticas de combate à desertificação
e mitigação dos efeitos da seca, é composta por representantes de setores da
sociedade civil, dos governos federal, estaduais e municipais e do setor
produtivo relacionados com o tema.
(Agência Brasil)

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