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| Manassés Martins de Freitas, 52, é carteiro e contribui há 34 anos. FOTO: Helene Santos |
O
carteiro Manassés Martins de Freitas teve a carteira de trabalho assinada pela
primeira vez aos 17 anos e já soma 34 anos de contribuição. Pelos cálculos de
Martins, nas regras atuais, faltaria pouco mais de um ano para já poder fazer a
solicitação do benefício. Já a estimativa da calculadora desenvolvida pelo
Sistema Verdes Mares, que leva em consideração as regras propostas pela equipe
econômica de Bolsonaro, revela que Martins deverá contribuir por mais nove anos
para ter direito à aposentadoria integral.
"Eu
pensei que já estava perto de me aposentar, mas parece que, caso seja aprovada
mesmo essa reforma, eu vou ter que trabalhar por mais tempo. Aí uns dizem que
vou ter que pagar um pedágio, outros dizem que não vou ser incluído nessas
novas regras. A gente fica sem saber qual vai ser o nosso destino",
lamenta o carteiro.
Prejuízo
para todos
Para
o supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), Reginaldo Aguiar, as mudanças prejudicam não somente
os de idade mais avançada, mas a família em volta desta pessoa também. "O
Nordeste tem uma forte característica que é a renda baixa, com uma população
altamente dependente de programas sociais e também da renda dos idosos para
poder sustentar as famílias". Ele afirma ainda que o efeito econômico
desses benefícios foram significativos e que ajudaram a tirar as pessoas da
condição de miséria. "No momento em que você dificulta esse acesso, a
distância entre ricos e pobres aumenta".
Sobrecarga
das mulheres
O
medo de não saber como será o futuro também atinge a esposa de Manassés, Rita
de Freitas. A autônoma nunca trabalhou formalmente e começou a pagar a
contribuição própria apenas em 2013, já com 44 anos. "Eu até queria ter
começado a pagar antes, mas era muito caro. Somente quando fiquei sabendo da
contribuição através do Sebrae é que fui pagar", explica. A contribuição
citada é válida para quem possui o cadastro de Micro Empreendedor Individual
(MEI). Neste caso, o recolhimento é de 5% do valor do salário mínimo vigente.
Apesar
de menor do que para o regime geral, Rita relata que o valor da contribuição
ainda faz falta no orçamento. "Mas tem que pagar. Pra tentar garantir uma
velhice melhor". Ela admite que ficou até desestimulada a continuar
contribuindo com a proposta. "Não sei nem se vou estar viva ainda quando
puder me aposentar", destaca.
Preocupação
antecipada
A
filha mais nova do casal não escapa da preocupação. Aos 24 anos, Lorena de
Freitas ainda não começou a contribuir. "Não tive emprego formal, porque
não consegui", diz a estudante de Letras. Apesar de ter começado a pensar
um pouco sobre o assunto da Previdência, ela afirma não pretender seguir a carreira
no magistério. (Diário do Nordeste)


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