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| FOTO: Fernanda Siebra |
Ao
todo, foram 13 estados beneficiados desde janeiro, entre eles Maranhão, Rio de
Janeiro e Pará. O envio só foi possível graças a uma parceria entre a
Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a Secretaria da Saúde
(Sesa), que acumulou 3.288 doações desde 2016.
A
coordenadora da Central de Transplantes do Ceará, Eliana Barbosa de Almeida,
explica que os números desse tipo de transplante são altos em razão da
cooperação entre as pastas. “Antes, tínhamos apenas um núcleo de doações e o
período de espera era de seis meses. Com a integração, nós passamos a três
núcleos em todo o Estado, zeramos a fila e passamos a disponibilizar para
outros estados”, diz.
De
acordo com Eliana, outros fatores colaboram com os bons números, a exemplo da
rapidez do transplante. “Além do procedimento não ser considerado de alto risco
e raramente haver rejeições, o grupo sanguíneo também não é requisito para o
receptor”. Conforme a coordenadora, em outros estados, “as filas de espera
também zeraram, mas logo depois voltaram a crescer. Porém, o Ceará mantém os
números firmes”.
SOLIDARIEDADE
O
sucesso na captação de córneas vem de atitudes de amor e solidariedade, como as
de Sônia Lima, que perdeu o filho Willamy Lima em 2018 e decidiu doar as
córneas. “Saber que alguém enxerga com os olhos dele me faz sentir que ele não
se foi totalmente. Sinto que ainda pode ver o sol, apreciar a vista do mar,
como ele tanto gostava”, conta.
Por
ter sido vítima de uma bala em uma perseguição policial, Sônia conta que os
outros órgãos do filho não poderiam ser aproveitados. “Se pudesse, eu doaria
até o último fio de cabelo dele. Hoje, uma mãe ou um pai devem estar muito
felizes pelo filho (a) conseguir enxergar”, comenta.
EMOÇÃO
Transplantado
pela primeira vez aos 14 anos, o assistente de logística Frank Marques, 38, que
perdeu a visão por causa da ceratocone (uma doença genética que muda a
estrutura da córnea), relata. “Fiz o primeiro transplante aos 14 anos. Um dos
primeiros procedimentos do tipo no estado. Já o segundo transplante aconteceu
aos 33”.
“Precisei
me adaptar, principalmente nos estudos. Hoje já não preciso mais. Voltar a enxergar
com os dois olhos é uma sensação maravilhosa. Pude retomar muitos sonhos.
Passei a ver a vida com outros olhos, a dar mais valor aos pequenos detalhes”,
conta, emocionado.
(Diário do Nordeste)


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