Detalhes foram observados em laboratório em Campinas. Amostras foram enviadas à França
Cariri. A descoberta do primeiro coração fossilizado de vertebrado, na Chapada do Araripe, no Ceará, mostra que a evolução dos seres vivos pode ocorrer no caminho inverso ao que se acreditava até então. Estruturas complexas, com o tempo, podem se tornar mais simples. 
A descoberta foi publicada na revista eLife, na última quarta-feira, 19. Coordenada pelo médico José Xavier Neto, a pesquisa começou há mais de dez anos. O fóssil em questão é um Rhacolepis buccalis, peixe que viveu há cerca de 115 milhões de anos. 
“Olhando em detalhes a morfologia do fóssil do coração do Rhacolepis foi possível constatar mais válvulas do que os peixes viventes, que possuem apenas uma válvula”, explica Xavier, nascido no Rio de Janeiro, formado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e hoje pesquisador do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). As cinco válvulas bombeavam o sangue para fora do coração, mas foram substituídas por estruturas mais simples, que demandam menos energia.
A descoberta está relacionada, essencialmente, à curiosidade do médico, às características ideais de conservação de fósseis na Chapada do Araripe, além de uma tecnologia de raio-X especial para a análise dos vestígios. “Os corações chamados de câmara só existem em vertebrados e em moluscos. Todos os outros têm uma bomba peristáltica, que funciona de modo semelhante ao nosso intestino. Ficou a pergunta, como você chega de uma bomba para essa câmara tão sofisticada?” 
Sem encontrar animais vivos com estrutura intermediária, Xavier passou a se debruçar sobre os registros fósseis, ainda em meados de 2005. “Não existia também nenhum fóssil cardíaco aceito pela comunidade. Havia sugestões de estruturas cardíacas, mas nunca nada que fosse capaz de provar que aquilo era um coração”.
Foi nas férias em Várzea Alegre, distante 467 km de Fortaleza, que ele começou a trabalhar na procura de fósseis com dois geólogos cearenses — o chefe do Departamento Nacional de Produção Mineral do Ceará, José Artur Andrade, e o diretor-executivo do Geopark Araripe, Francisco Idalécio Freitas. 
A certeza de que a estrutura tratava-se, de fato, de um coração, veio em 2013. Um ano depois, o estudo começou a ser redigido, com a participação de cerca de 20 pesquisadores.
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Potenciais da descoberta
O pesquisador José Xavier Neto acredita que os estudos poderão servir para aumentar a durabilidade das válvulas do coração. “Elas são feitas de plástico ou metal. Têm uma duração, mas aqui e acolá precisam ser substituídas. No futuro, a gente pode ter um progresso”.
Dando continuidade à descoberta, os pesquisadores devem analisar os processos químicos que produziram a fossilização do coração.           (O Povo)      Principal

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