Eron
Carvalho, 38, e sua filha, Clarice Carvalho, de 4 anos, são lutadoras por
natureza. Caririenses de Juazeiro do Norte, elas compartilham entre sim um
vínculo que vai muito além da relação de mãe e filha. Ainda na gravidez, Eron
contraiu o vírus da zika, o que iria, mais tarde, atingir Clarice na forma de
microcefalia, uma má-formação congênita capaz de impedir o desenvolvimento
próprio das funções cerebrais e motoras.
Nas
redes sociais, Eron Carvalho mostra de forma descontraída o cotidiano e os
tratamentos de Clarice. Por meio do perfil intitulado “clarice.bonita”, que
conta com 1.962 seguidores, mãe e filha mostram a força das duas durante os
tratamentos, através de vídeos e fotos da rotina.
No
último dia 18 de outubro, o perfil publicou um vídeo da pequena tendo aula de
natação. "Nado Sincronizado é com a @clarice.bonita. Fazer a alegria dessa
menina é o que move minha vida. Compartilho esses momentos porque sinto que de
alguma maneira pode inspirar sua vida", diz a legenda, assinada pela mãe,
Eron.
“Ela
foi diagnosticada na gestação. durante uma ultra morfológica. Mas naquela
época, ninguém ainda sabia o que ia ser a síndrome congênita do zika vírus. A
gente só sabia que ela provavelmente ia nascer com hidrocefalia”, relata Eron.
A
surpresa foi a pequena ter nascido relativamente “bem”, segundo conta a mãe.
Até os 11 meses, Clarice não apresentava sintomas graves. Desde o primeiro mÊs
de vida, contudo, ela realiza sessões de fisioterapia. “Quando ela fez 1 ano
descobrimos que ela estava com hidrocefalia extrema (aumento anormal do fluído
cefalorraquidiano dentro da cavidade craniana) e tendo convulsões. Aí fomos ao
hospital e ela começou a usar uma válvula para ficar drenando o líquido. Ao
todo, ela passou por 23 procedimentos cirúrgicos e trocou algumas vezes de
válvula”, diz Eron.
Tratamento
A
evolução do quadro médico de Clarice veio com muita fisioterapia e resiliência.
Em fevereiro de 2018 o quadro de hidrocefalia foi aliviado e atualmente Eron
considera a garota “curada” desta doença. “Hoje ela faz reabilitação visual,
terapia ocupacional, fonoaudiologia e fisioterapia. Ela está muito melhor hoje
em dia”, afirma a cearense, que desde abril mora em Recife, no Pernambuco, com
Clarice e uma cuidadora.
A
decisão de se mudar para a capital pernambucana foi para buscar melhores
condições de tratamento. Um cuidado maior com crianças com microcefalia começou
a ser tomado por profissionais de saúde no período pós-surto de zika em 2015,
ano em que Clarice nasceu. E tem resultado em índices mais “positivos”.
Pesquisa
feita pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidas) da
Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, divulgada neste mês, indica que
depois do surto do vírus, quando milhares de crianças nasceram com
microcefalia, começou-se a ter um olhar mais apurado para más-formações
congênitas em recém-nascidos.
Como
resultado disso, as identificações de más-formações congênitas que não são
necessariamente associadas à zika aumentaram 20% no Ceará no período
pós-epidêmico. “Durante a epidemia, a maioria dos agentes de saúde se comoveu
com a imagem da criança com microcefalia, o impacto que causou nas mães e na
vida de todos. Os profissionais que acompanharam os casos se sensibilizaram e,
na ânsia que de querer ajudar, acabou-se descobrindo a notificação de outras
más-formações”, explica Moreno Rodrigues, pesquisador em saúde pública e um dos
autores da pesquisa da Fiocruz.
A
Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) tem acompanhado estes casos. No
Estado, desde 2015, nasceram 163 bebês com microcefalia, depois de suas mães
contraírem zika na gestação. Neste ano, até o último dia 14 de outubro, nenhum
caso do tipo havia sido registrado.
Luta
Durante
o tratamento de Clarice, quando ela ainda tinha hidrocefalia e utilizava
válvulas, outro momento de dor veio para a família Carvalho. Eron foi
diagnosticada com câncer do cólo de útero. Após tratamento e cirurgias ela
alcançou a curou e pôde ficar mais forte para auxiliar no caminhar de sua
filha.
Conheça
o Instagram delas clicando aqui! (G1 CE)


Postar um comentário