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| FOTO: ISANELLE NASCIMENTO |
Já
as exportações de mel caíram 65%, de 2009 até 2018. Entretanto, com a quadra
chuvosa favorável deste ano, o setor espera recuperar o espaço perdido
apostando, principalmente, no mercado interno.
“Neste
ano, o setor teve uma produção muito boa, mas com a queda de demanda no mercado
externo, muitos produtores estão com mel estocado. Então, agora, nós vamos
trabalhar o mercado interno, incentivando o consumo das famílias por meio de
campanhas de marketing”, diz Vinicius de Carvalho, presidente da Câmara Setorial
do Mel (CS Mel), vinculada à Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará
(Adece).
Diferente
do que ocorria em anos anteriores, quando o Ceará exportava cerca de 90% da
produção, neste ano o Estado deverá vender apenas 50% da produção para o
mercado externo. Segundo Carvalho, em um ano considerado bom, a produção
cearense supera 4 mil toneladas. E neste ano, deve ficar em torno de 2 mil
toneladas. “Agora, estamos vendo uma recuperação dos apiários e,
consequentemente, da produção”, diz Carvalho.
Potencial
Para
o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), Flávio
Saboya, o setor da apicultura no Ceará tem um grande potencial a ser explorado,
principalmente por não ter grandes áreas plantadas com uso de defensivos
agrícolas.
“Isso
é um diferencial do Ceará”, diz. “Mas, na seca, os apicultores perderam muitas
colmeias. Ainda assim, se houver uma maior organização do setor, podemos nos
firmar como um grande exportador de mel, seja ele produzido no Ceará ou em
estados vizinhos. Tenho muita esperança no mel nordestino”, completa.
De
2004 a 2014, o Ceará foi o principal exportador de mel do Nordeste, ficando
entre os três maiores do Brasil até 2012. Hoje, o Estado figura na segunda
colocação do Nordeste e na quinta do País. De janeiro a setembro deste ano, o
Ceará exportou 1,71 mil tonelada de mel, volume 36,5% superior ao registrado em
igual período de 2018. Mas, apesar desse avanço, a queda da demanda impactou
negativamente o preço do mel no mercado internacional, e o valor exportado (US$
3,9 milhões) caiu cerca de 6,1%.
Neste
ano, 67% das exportações cearenses seguiram para os Estados Unidos. Ao todo,
foram US$ 2,54 milhões referentes a 1,15 mil tonelada. Em seguida aparecem
Alemanha (US$ 780 mil), Bélgica (US$ 380 mil), Reino Unido (US$ 110 mil) e
Itália (US$ 40 mil).
Preço
Além
da estiagem, a queda do preço do mel tem sido um dos grandes entraves
enfrentados pelo setor. Antes de 2016, o quilo do produto chegou a ser vendido
por R$ 12. Em 2017, o valor passou para R$ 9,50, e em 2018 caiu para R$ 7.
Neste ano, o quilo do mel é vendido por cerca de R$ 5.
“O preço teve uma alta grande até 2016, mas como o mercado lá fora deu uma parada, boa parte da produção cearense acabou sendo vendida no Sul e Sudeste”, diz Carvalho.
“O preço teve uma alta grande até 2016, mas como o mercado lá fora deu uma parada, boa parte da produção cearense acabou sendo vendida no Sul e Sudeste”, diz Carvalho.
Outro
fator que acabou prejudicando os produtores locais, foi a substituição do mel
por “preparado de mel”, feito pela indústria de alimentos, principal comprador
de mel de abelha. “Como o preço do mel estava muito alto, indústrias, como a de
laticínios, buscaram uma alternativa e o Ministério da Agricultura aprovou o
uso de ‘preparado de mel’, que é um pseudomel. Isso prejudicou muito os
apicultores”, diz Carvalho.
Investimentos
Em
abril, o Governo do Estado anunciou um investimento de quase R$ 20 milhões no
projeto “Rota do Mel”, que consiste na reestruturação da cadeia produtiva nas
regiões do Sertão Central, Inhamuns e Crateús. Os recursos são aplicados na
aquisição de equipamentos com o objetivo de que o Estado retome a posição de
maior produtor do Nordeste, aumentando a participação nos mercados interno e
externo. “O Governo vem incentivando muitos projetos, com investimentos
inclusive do Banco Mundial. Estão trabalhando cada vez mais nas comunidades e,
com isso, a apicultura cresceu muito aqui no Estado”, diz Carvalho.
Com
a iniciativa, o Governo espera um incremento superior a 20% na produção, com a
entrega de 29 mil colmeias e uma média de 25 quilos de mel para 50 colmeias.
Considerando apenas as vendas para o mercado interno, o Governo estima um
acréscimo de mais de R$ 3,1 milhões já em 2020. Segundo o IBGE, em 2017, o
Estado produziu 1,77 mil tonelada de mel, ficando na terceira colocação do
ranking nacional.
Histórico
Naquele
ano, os municípios com maior produção de mel no Estado foram Mombaça (200
toneladas), Alto Santo (130 toneladas) e Limoeiro do Norte (80 toneladas). De
acordo com a Federação Cearense de Apicultura (Fecap), a apicultura gera cerca
de 8 mil empregos de base familiar. A região do semiárido se destaca,
sobretudo, pela baixa contaminação de pesticidas, já que a produção é
proveniente de flores de vegetação nativa. (Diário do Nordeste)


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